domingo, 31 de maio de 2009

Até eu conseguia essa façanha!

Domingo excelente para cobertas, sofá e filme. E claro que não podemos nos esquecer dos trabalhos, mas deixa pra lá, vamos falar de coisas boas. Um friozinho sensacional. Faltou tempo para assistir mais filmes. Mas hoje vou comentar aqui sobre “Jogo entre Ladrões”, com Morgan Freeman e Antonio Banderas. Geralmente falo de filmes dos quais eu gostei de assistir. “Jogo entre Ladrões” é o tipo do filme mais ou menos. Vamos para o resumo da história primeiro.
Morgan Freeman faz Ripley, um ladrão já conhecido da polícia. Ele faz aquele estilo Pierce Brosnan em “Thomas Crown – A arte do crime” - aquele que rouba os lugares mais impossíveis e passa despercebido, já que sua genialidade ultrapassa qualquer nível de inteligência humana. Antonio Banderas é Gabriel, um assaltante que está passando por dificuldades, mas recebe a proposta irrecusável de Ripley para participar de um roubo que vai lhe render 20 milhões de dólares. Os objetos do roubo são dois ovos Fabergé da coleção Romanov. Olha a máfia russa metida aí no meio.
O problema é que “Jogo entre Ladrões” não tem a mesma sutiliza de “Thomas Crown” ou “Onze Homens e Um Segredo”, por exemplo. É ridiculamente fácil roubar um cofre super protegido tecnologicamente, com teste de voz, digital, senha, câmeras. E claro que uns seis homens magricelas e idiotas protegendo o local deve ser uma coisa bem normal em locais que precisam de segurança máxima.
Primeiro que é um saco ver Antonio Banderas no papel do mocinho irresistível com aquele cabelo, aparentemente, banhado em óleo. E é triste ver Morgan Freeman fazer um papel tão fraco, analisando a genialidade e histórico do ator. Mas enfim, nem sempre as pessoas acertam.
O mais ridículo no filme é a maneira como eles arrombam o cofre. Imagine um cofre de segurança máxima que tem a opção de reescrever a senha mais de mil vezes se necessário. É preciso rir pra não chorar! E sem falar na maneira como eles conseguem burlar o sistema de voz. Eles conseguem a voz do russo falando todas as palavras que a máquina pede, mas no final ela faz uma pergunta que não estava no script. A pergunta era em russo e pedia se ele estava com fome. Morgan Freeman simplesmente responde que não e passa! Como assim? A máquina com tecnologia de ponta não sabe identificar a voz? Brincadeira! Até eu conseguia essa façanha!
Geralmente o que a gente espera de um filme com esse tipo de roteiro são cenas de ação e tensão. Você geralmente torce pelos ladrões, uma questão de empatia que gera entre o espectador e personagem. Aqui isso não acontece pela maneira ridícula que se desenrola a trama. O final é morno. No meio do filme você já imagina quem é quem. O filme termina e você fica com um sentimento de perda de tempo.
Não recomendo. Já assisti a filmes bem melhores com o mesmo tipo de roteiros, e que mesmo tendo partes absurdas conquistam o espectador. O outro filme que assisti foi “Foi apenas um sonho”, com Leonardo Di Caprio e Kate Winslet. Um filme mais denso e pesado, mas é melhor que “Jogo entre Ladrões”, com certeza. Recomendo pela boa interpretação de Leonardo Di Caprio. Venho o admirando cada vez mais como ator. “Foi apenas um sonho” trata de relacionamentos, decepções, frustações, enfim, não é muito legal para um domingo. Mas se puder, confira!
Por hoje eu fico aqui. Vou dormir e tentar me animar com a idéia de que amanhã já é segunda!

Por Fernanda Giotto Serpa

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Hurra!

Acabei de assistir “Encouraçado Potemkin”, de Serguei Eisenstein. Antes de falar sobre o filme, vou comentar rapidamente sobre o movimento do qual ele faz parte dentro do cinema. “Encouraçado Potemkin” é fruto do Experimentalismo Soviético. Se hoje existe a é montagem é graças aos russos! O Experimentalismo tem na sua essência o coletivismo. Ele trabalha com o todo, já que é anti-individualismo capitalista. Vai contra também os temas da dramaturgia burguesa. O Experimentalismo Soviético nega o cinema Hollywoodiano, nega o cinema produzido para o mercado e obtenção de lucro. Por isso que a partir do momento no qual os comunistas tomaram o poder o cinema foi nacionalizado, e utilizado, principalmente, como um instrumento de propaganda – daí a ênfase no coletivismo.
Nasce aqui o filme que tem um ideal político. Ele não é apenas um roteiro de produção para o mercado, o filme vem com o objetivo de transmitir uma idéia política e, de certa forma, um objetivo de manipulação. Dziga Vertov foi um importante cineasta do movimento. Ele fez um cinema de não-ficção chamado de Câmera Olho. A diferença é que não era a realidade propriamente dita, Vertov mostrava a visão de como o mundo deveria ser. Sendo assim, os filmes de Vertov não são apenas documentários, já que trazem uma opinião (que aparece através da montagem e tipos de câmera) embutida no seu significado. Ele não tem a simples função de mostrar uma imagem.
Pulando agora para o “Encouraçado Potemkin”. Passar uma sinopse rápida por aqui! O filme é ambientado na Rússia Czarista, em 1905, quando aconteceu uma revolta que “pressagiou” a revolução de 1917. A história começa no navio de Potemkin quando os marinheiros se revoltam com a comida estragada e pelos maus tratos que sofrem dentro do navio. O médico que está a borda analisa a carne e insiste em dizer que ele está perfeita para o consumo. Os soldados se negam a comer e recusam a sopa também. Quando o comandante do navio sabe dessa greve ele manda enforcar todos aqueles que não gostam da sopa. Alguns marinheiros são botados num canto e o comandante manda executá-los. Entra em cena o marinheiro Vakulintchuk, que grita para os soldados e pede para eles pensarem de que lado eles estão. Os soldados não atiram, o comandante se revolta e uma briga entre marinheiros e oficiais começa. O final disso é a morte de Vakulintchuk! E a partir daí o filme mostra a união dos marinheiros contra a submissão na qual vivem. Tanto que o lema dos marinheiros é “Um por todos. Todos por um” – mais uma vez a idéia do coletivo.
Esse filme foi um marco na história do cinema. Eisenstein é considerado um dos maiores diretores de todos os tempos pela herança que deixou para o cinema do mundo. A produção do filme só aconteceu porque o projeto foi um dos escolhidos, em 1925, pelo comitê central do Partido Comunista para comemorar os 20 anos da Revolução. Foram destinados três milhões de rublos para a produção de oito filmes.
O prazo de entrega do filme era 20 de dezembro de 1925. Em setembro do mesmo ano Eisenstein percebeu que não daria para resumir, com qualidade, todos os acontecimentos de 1905. Logo ele decidiu que focaria apenas nos acontecimentos relacionados ao encouraçado de Potemkin, e através dele ele transmitira os ideais comunistas. Sendo assim, Eisenstein brincou um pouco com a história e deu um final diferente ao ocorrido. Ele contou sobre a união dos marinheiros para alcançar um desejo coletivo (como aconteceu), e em vez de mostrar a derrota, ele trouxe a vitória (o que não aconteceu). Assim ele conquistou ainda mais o público, através de um sentimento feliz e de esperança.
Alguns problemas de produção atrapalharam e atrasaram as filmagens. Primeiro que Eisenstein precisava de um barco igual ao da época, já que o barco é o personagem principal do filme e traz embutido nele a idéia de coletividade. Na enseada de Sebastopol estava ancorado um barco idêntico ao Potemkin, chamado Os Doze Apóstolos. Porém ele não estava em condições de uso. Eisenstein improvisou. Virou a proa para o mar (assim não apareceria a costa) e depois montou uma maquete que foi utilizada para filmar os planos gerais do barco. As tomadas foram tomadas realizadas na piscina mourisca dos banhos públicos de Moscou. Quem diria que aquilo era uma maquete, hein?
Já a cena da escadaria, uma das mais famosas do filme, não estava no roteiro. Ela simplesmente aconteceu e coube na hora da montagem. Aliás, a montagem do filme só foi terminada horas antes da sua primeira exibição, em 21 de dezembro de 1925. Imagine que Eisenstein tinha apenas 27 anos.
O filme traz a idéia do épico e da tragédia. Eisenstein se recusou a usar atores profissionais no seu filme. Ele fez uma seleção criteriosa entre pessoas comuns. Pode-se dizer que isso encaixa-se também na esfera ideológica do seu filme e da época, que recusava o capitalismo e individualismo. Pra quê então usar atores profissionais, se as pessoas comuns podem ser usadas também? Foi isso que Eisenstein fez, reafirmou a idéia do coletivo. O filme é um show de emoções. As expressões, câmeras em close, a cena da escadaria, as pessoas chorando com a morte do marinheiro Vakulintchuk, o idealizador da revolta no filme.
A princípio o filme não é a coisa mais atrativa para se assistir. Mas a narração, a trilha sonora (indicando momentos de clímax, calmaria e suspense) e as imagens (que não são fixas) embalam o filme e tudo passa muito rápido.
Além de um trecho do filme deixo também um dos últimos trechos apresentados no filme: “A bandeira da liberdade tremulava sobre todos”. Hurra! (Como os marinheiros gritam).






Fontes de Pesquisa:
Ø http://www.dvdmagazine.com.br/rubens/historia_5.htm
Obs: Não há informações sobre o livro "Eisenstein" de Arlindo Machado. Esse fica para amanhã!

Por Fernanda Giotto Serpa

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Que horror! Ou não...

Trabalho, faculdade e cuidados com a casa estão me deixando mais afastada do blog. Mas estou fazendo o que dá e escrevendo no mais tardar da noite. Então, caso haja erros ou frases sem sentido, relevem! A madrugada não é o melhor horário para escrever textos. Apesar da falta de tempo, sempre dá pra arranjar uma brecha para um filme. E ontem foi assim. Uma brecha meio comprida, eu diria, já que se trata do filme “Apocalypse Now”, de Francis Ford Coppola.
São três horas de pura produção e investimento técnico. O filme já começa bem com a música The End, do grupo The Doors e imagens de explosões no fundo. A combinação do ritmo calmo, da letra relacionada à violência e mais as cenas de ação foi uma combinação absurda, mas ao mesmo tempo perfeita. A trilha sonora não modifica o sentido da cena, diferente dos vídeos que a Tatiana colocou aqui nos blogs.
“Apocalypse Now” é ambientado na época da Guerra do Vietnã. O capitão Benjamin L. Willard, interpretado por Martin Sheen, é convocado para uma missão especial: matar um famoso general, Walter Kurtz (interpretado por Marlon Brando), que enlouqueceu durante a guerra e está cometendo loucuras com as pessoas adeptas as idéias dele.
O filme mostra toda a viagem de Willard até chegar ao destino. O clímax do filme, que é o encontro dos dois, acontece apenas na última parte. O filme é uma obra-prima de efeitos e técnicas de iluminação. Marlon Brando só aparece na escuridão ou com envolto por sombras. Mas o motivo dele vai além do aparato técnico. Marlon Brando estava 40 quilos acima do seu peso. Ele foi um estorvo para Coppola. Ele não leu o script e nem o livro no qual foi baseado o filme. E quando leu quis recusar o papel. Foi uma fase ruim da sua carreira, ele estava bebendo mais do que devia. Depois de muito “teretete” ele concordou com a condição de nunca aparecer na luz nitidamente.
Além disso, “Apocalypse Now” contou com a presença de um furacão, que destruiu os sets de filmagem – que eram nas Filipinas – e atrasou 10 meses as gravações. Martin Sheen teve um ataque do coração durante as filmagens, o que atrasou mais ainda a produção, e Coppola ameaçou suicidar-se inúmeras vezes. Logo se vê que o clima era muito amigável nos sets de filmagem. Deve ser por isso também que “Apocalypse Now” é totalmente depressivo e angustiante.
Aliás, esse foi outro trunfo de Coppola, conseguir por na telona um sentimento forte de desgraça, angústia e depressão. A Guerra do Vietnã foi isso, um show de horrores. E Coppola não se deteve para mostrar isso. Você sente o que foi a guerra através da trilha sonora, da cor das imagens (muitas vezes puxadas para um vermelho), tipo de luz e, óbvio, a personalidade dos personagens do filme e a maneira como eles se transformam no decorrer dos acontecimentos. Não podemos esquecer-nos da sensação de calor e abafamento que é muito nítida no filme, deixando claro como era o clima na região.
Cada um vai enlouquecendo do seu jeito. O mesmo acontece no local onde o personagem de Marlon Brando está instalado. As pessoas estão loucas e descontroladas, mas de uma maneira estranha, que incomoda o espectador. Nada parece real no filme. É como se tudo fosse um pesadelo.
O filme não é ruim, é apenas cansativo. As cenas são longas, as ações são demoradas e tudo é pensado demais às vezes. Como eu já estava sem paciência, muitas vezes o filme passava a ser entediante. Há coisas também que não fazem muito sentido. Como quando eles chegam num local onde residem alguns franceses. Eles não têm nenhuma relação com a história, a não ser estarem no meio da Guerra também. A única parte boa do diálogo é quando o francês joga na cara do capitão Willard que os EUA estão lutando por nada, como uma crítica à guerra infundada.
Quem faz uma pontinha no filme também é o Harrison Ford (que eu não reconheci de tão novo que ele era). Robert Duvall e Dennis Hopper fazem papéis importantes no filme, mas não aparecem durante muito tempo.
Em minha opinião o filme é uma obra-prima de Coppola, mas não se compara ao Poderoso Chefão. O único problema do filme é a velocidade com a qual se desenrolam os acontecimentos. Talvez esse fosse o objetivo do diretor também! Nunca se sabe... E também há algumas coisas que não fazem sentido. Seria o caso de assistir mais uma vez para entender. Quem sabe um outro dia, certo?
Deixo aqui a última frase do filme: “O horror”. Agora basta você assistir e decidir se o filme é um horror ou não. Eu fico com o meio termo...

Por Fernanda Giotto Serpa

domingo, 24 de maio de 2009

Sete

Passou-se 10 minutos do filme e nada de entender, mais 10 e continuou na mesma. Meia hora se passou e as coisas começam a se explicar. “Sete Vidas” é assim. Você começa sem entender o que o personagem de Will Smith faz, qual o conflito que ele está vivendo e porque ele toma certas atitudes no início do filme. Como, por exemplo, quando ele liga para o cego Ezra Turner, muito bem interpretado por Woody Harrelson (mesmo que a participação tenha sido pequena), e começa simplesmente a humilhá-lo. Nada faz sentido, é preciso ter calma para ver a história engrenar.
Will Smith interpreta com maestria o papel de Ben Thomas. Você pode não entender o porquê das atitudes dele, mas você sente a angústia e revolta do personagem estampadas na cara do ator. Esse é o segundo filme que Smith faz com o diretor Gabriele Muccino. O primeiro foi "A Procura da Felicidade", no qual trabalhou com seu filho. A carga dramática dos personagens de ambos os filmes são parecidas. Dois homens que possuem dramas internos e tentam buscar soluções para suas vidas.
Ben Thomas faz um agente da Receita Federal. Ele guarda com ele uma misteriosa culpa. O filme começa com ele ligando para o 991 e dizendo que vai cometer suicídio. A partir daí o filme volta no tempo e a história passa a se desenrolar. Há o uso constante de flashback no filme, e aos poucos você compreende a vida de Ben Thomas.
A função do seu personagem é salvar a vida de sete pessoas (por isso Sete Vidas). O número sete aparece logo no começo, quando a voz dele em narração diz “Deus criou o mundo em sete dias. Eu destruí o meu em sete segundos”. O filme mostra aos poucos como ele alcança cada uma dessas pessoas. Ele as testa para saber se elas são realmente dignas de serem ajudadas.
Emily Posa, interpretada por Rosario Dawson, é a personagem que mais se desenvolve entre os sete que serão ajudados por Ben. Eles criam uma relação muito próxima. Ela sofre do coração e tem pouquíssimas chances de sobreviver, já que está na fila de espera e possui um tipo sanguíneo raro. Ben acaba se envolvendo mais a fundo com a situação de Emily, comparado aos outros personagens. Ao mesmo tempo em que isso acontece as verdadeiras intenções de Ben passam a serem mostradas ao público.
Gostei muito do filme. Acho que ele possui uma boa finalização, ele conclui o filme. Acredito que o filme leve muitas pessoas ao choro rapidinho. O que não foi o meu caso. Não que ele não seja dramático o suficiente, mas não o achei tão apelativo para me levar a pegar alguns lencinhos.
Interessante como ele usa uma imagem mais plastificada e um som diferente para distinguir os flashbacks. Na imagem você não consegue ver perfeitamente o que acontece, isso só é revelado no momento final do filme, para explicar com exatidão os motivos da atitude de Ben. E o som valoriza tudo o que está próximo do personagem, como se abafasse o som exterior. Dá uma sensação de incomodo você não visualizar e nem ouvir perfeitamente as cenas.
Vale a pena conferir. Um bom filme, até para um domingo. Eu acho sofrido assistir dramas aos domingos, mas não tive problemas com esse.
Deixo o trailer aqui!



Por Fernanda Giotto Serpa

sábado, 23 de maio de 2009

Como havia prometido!

Bom, como eu havia falado em outro post, vou deixar aqui as fotos do nosso sábado de gravação da cena de "Os Infiltrados". Um trabalho do caramba esse, hein! Mas ele está quase finalizado, falta apenas uns últimos acertos e sucesso!
Acabei de assistir ao filme "Sete Vidas", mais a noite eu posto a minha opinião sobre o filme. Por enquanto posso dizer que é muito bom. A narrativa dele é muito interessante, mas depois eu falo mais sobre isso...
Mas aí vai o nosso ensaio fotográfico! Agora que notei que faltou a foto do grupo inteiro. Aiaiaiaia...isso não pode voltar a acontecer hein...


























Os vídeos não estão querendo carregar, vou tentar postar mais tarde! E tá aí a galera do tomada1!
Por Fernanda Giotto Serpa

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Scorsese por escrito

Terminei ontem o livro “Uma viagem pessoal pelo cinema americano”, de Martin Scorsese e Michael Henry Wilson. Primeiramente o livro tem um grande ponto a seu favor: o apelo visual. Ele é completo de fotos que ilustram os textos. Não que eu goste de ver só figurinhas, mas a imagem vem como um importante complemento e estimulante da leitura, já que o livro trata de gêneros dentro do cinema exemplificados por filmes.
Enquanto lia o livro eu notei um Scorsese muito humilde na sua posição de escritor, mas também diretor. Ele se coloca como um observador e admirador de tudo aquilo, tanto que no livro ele diz: “(...)optei por destacar alguns dos filmes que coloriram meus sonhos,m que mudaram minha percepção e, em alguns casos, minha própria vida. Filmes que instigaram para o bem ou para o mal, a virar cineasta”. Estamos mergulhando dentro da mente de um Scorsese espectador, como nós.
O livro é dividido em cinco partes. A primeira parte se trata do dilema do diretor. Todos sabem que Hollywood é um grande monopólio cinematográfico, que dita suas regras e que obrigam a grande maioria a se adaptarem a elas. Para muitos diretores a melhor maneira de burlar essas regras era produzindo filmes “B”, de baixo orçamento. Esse tipo de filme não era essencial para os homens do dinheiro, logo se tinha muito mais liberdade de deixar o filme da maneira que você queria e não com a cara da indústria para qual se trabalhava. Desse modo diretores começaram a construir um estilo próprio e seus nomes eram escritos “acima do título” – palavras de Frank Capra. Aliás, foi Capra que teve também a idéia de “um homem, um filme”. Para ele todo filme deveria ser produzido por um homem – o diretor. Assim seus filmes teriam a sua marca, e não um produto montado de uma indústria. Scorsese traz trechos de cenas e diálogos de filmes sobre o assunto, como o filme “Assim estava escrito”, de Vincent Minnelli, que mostra Hollywood na visão dele.
O capítulo dois do livro fala do diretor como um contador de histórias, com a função de proporcionar entretenimento através da ficção – documentários estavam em baixa. Dessa maneira surge o studio system, que é o cinema divido em gêneros, com formatos pré-determinados. É como dizer que todo faroeste tem um mesmo roteiro geral: vilão, bandido e mocinho. Amor, mentira, traição e reconciliação. Final feliz depois do clímax. É como as comédias românticas de hoje. Sempre um casal bonito que se encontra e apaixona-se instantaneamente, desentende-se no meio do filme e no final descobrem que se amam e tudo termina num “feliz para sempre”. Nada contra, eu até gosto de assistir filminhos assim, mas são extremamente previsíveis.
No livro Scorsese trata de três gêneros que foram importantes para a história do cinema: faroeste, gângster e musical. No início os faroestes idealizavam o lado oeste americano com uma estética aprimorada e personagens cativantes. A partir dos anos 50 isso muda. Há uma desconstrução dessa realidade. O interessante é analisar que o cinema nunca está estagnado. Quando as coisas se tornam mesmices cansativas, o cinema se reinventa. Clint Eastwood fala no livro sobre isso e dá um exemplo clássico de desconstrução do mito, que é “Os Imperdoáveis”. O mocinho do filme era na verdade o bandido. A maneira como a história se encerra foge do “paz e amor”. As coisas se resolvem da maneira que precisam se resolver e ponto final.
Já os gângsteres vieram para escancarar a violência e ilegalidade da época. O interessante é que isso é muitas vezes visto como algo charmoso. Eles são bandidos e ninguém nega, mas não são medíocres. O que eles fazem, fazem bem. As organizações eram vistas com respeito, tanto que Al Capone é um mito até hoje! A lealdade entre membros e a frieza com a qual lidavam com a deslealdade tornou-se algo admirável. Pode parecer meio chulo, mas é como os traficantes são vistos dentro de uma favela. Pessoas que cometem crimes abertamente, mas ganharam o respeito de todos que vivem por ali e retribuem isso garantindo segurança.
E o musical vem envolto de toda produção mais trabalhosa e preocupada principalmente com a estética. Segundo Scorsese, o musical emergiu na época da Depressão, como um caminho para fugir do momento ruim em que a sociedade vivia no momento. A primeira mudança dentro do gênero foi a conclusão de que um musical no palco não foi feito para o cinema. Busby Berkeley, um ex-professor de dança, usou e abusou das câmeras. Aproveitou angulações e movimentos de câmeras e deu ao cinema a verdadeira cara do musical. A partir daí Vincent Minnelli mudou o cenário do musical. Nada de Broadway! A ambientação acontecia no Meio-Oeste, e os atores cantavam suas emoções. A partir de 1940 o lado mais sombrio da época e da vida passou a ser retratado nos musicais também, da mesma maneira que aconteceu com o faroeste e gângster.
Para Scorsese o diretor de cinema pode ser um ilusionista, contrabandista ou iconoclasta. Ilusionista pela parte técnica que, obrigatoriamente, o diretor deve dominar. Para saber o que se quer de uma cena ele deve entender os procedimentos técnicos para se chegar ao objetivo. Ele cita vários diretores que revolucionaram técnicas ou fizeram pequenos “chunchos” que até hoje são usados no cinema. Quando ele trata dos diretores como contrabandistas voltamos ao assunto da manipulação das grandes indústrias. Os contrabandistas são aqueles que se desvencilham do sistema e buscam, com orçamentos mais baratos, colocar a sua idéia na telona. Afinal, de que adianta ter uma grande estrutura e dinheiro de sobra se você não pode expressar o seu desejo?
E com isso entra em cena o film noir, que valoriza sempre o lado sombrio da vida americana, mostrando que nem tudo termina com um final feliz. Os personagens sempre viviam histórias polêmicas, como o estupro, por exemplo. Eram temas fortes, com cenas mais angustiantes e finais sem sorrisos. Sexo e violência eram temas usuais no film noir. Na estética ele também tinha as suas próprias características, como o contraste forte entre branco e preto.
E por último temos o diretor iconoclasta, que é aquele que não deixa as idéias nas entrelinhas, como os contrabandistas. É o diretor que fala na cara, escrevendo de maneira bem direta mesmo. Ele expõem assuntos não comuns abertamente e explora da maneira que bem entender. Era a realidade nua e crua.
Aqui eu expus rapidamente os assuntos principais do livro, mas a riqueza maior está nos exemplos que Scorsese usa o tempo todo, colocando diálogos e sua opinião sobre filmes, atores, atrizes e diretores. Gostaria também de ter assistido a grande maioria dos filmes que ele expõe ali, para conseguir visualizar de fato o que ele quer dizer. É um livro de leitura fácil e rápido. Scorsese escrevendo não é nada mau também!

Por Fernanda Giotto Serpa

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Tamanho não é documento

Fora do normal, porem dentro dos padrões de filmes de animação. Eu estou falando do filme Kung Fu Panda. Muito divertido, porem tem seus momentos tristes e que nos faz acreditar que no final tudo pode mudar. Como protagonista,um personagem que ninguém tinha pensado antes, um urso Panda, ele sonha em ser um famoso lutador e como todos nós, tem seus ídolos,porem, com alguns problemas evidentes que não o favorecem em relação aos outros personagens, como por exemplo, a grandeza de sua musculatura e ser totalmente desajeitado.

Título Original: Kung Fu Panda
Origem:4 de Julho de 2008, nos Estados Unidos
Direção: Mark Osborne e John Stevenson.
Roteiro: Jonathan Aibel e Glenn Berger, baseado em história de Ethan Reiff e Cyrus Voris.
Produção: Melissa Cobb.
Fotografia: Yong Duk Jhun.
Edição: Clare De Chenu.


Por Mariana Virgilio